quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Entre a arte, o fogo e o desejo

Luís inspirava-se nos sons da terra, das pessoas, dos animais para criar as suas obras. Mergulhava os seus olhos no mar, nos rios, nas nuvens em busca de azuis. Ouvia a chuva e retinha no seu coração o arco-íris. A cada olhar uma pincelada numa tela, que nada mais era que um espelho da sua alma. A cada batimento cardíaco uma nova cor, uma nova emoção. As suas mãos muitas vezes tocavam e levantavam terra em busca de vermelhos, de castanhos, de amarelos, de cinzas. Ao inspirar o vento, vinham os verdes que tinham passado pelas folhas. Por todo o lado cores de formas infinitas e tons sublimes. Em cada rosto com que se cruzava uma expressão, um mistério atrás de um pensamento não revelado.
De manhã, ao sentir o cheiro do café, novas ideias revolviam a sua mente. Criava dentro de si o dia, a vontade de passar para a tela todos os sonhos da noite.
Gostava de estar sozinho, inspirando-se em musas que nada mais eram que desejos expressos em cores e formatos diversos.
Ouviu a campainha e levantou-se da mesa, deixando o café a fumegar.
Abrindo a porta, a sua amiga Mila pingava debaixo da chuva forte. Luís afastou-se para que entrasse e foi buscar uma toalha grande para a ajudar a limpar as gotas da água. O seu cabelo a escorrer parecia uma cascata turbulenta. O seu rosto vermelho, um pedaço de fogo da lareira…
A lareira! Empurrando Mila para a sala, deu-lhe uma manta, dizendo:
- Despe essa roupa molhada e senta-te a secar. Vou buscar-te um café quentinho.
Enquanto Luís foi à cozinha, ela deixou cair as roupas encharcadas no chão, virando-se nua para a lareira quente. Gostava da sensação do frio do corpo em contraste com o calor que vinha da lenha, do cheiro a caruma, das cores fortes.
Sentia o olhar de Luís atrás de si, e estava a adorar. Ouvia a sua respiração, a chuva a bater nas janelas e desejava que Luís a agarrasse e a fizesse gemer nos seus braços. Eram amigos há anos, mas nunca se tinham envolvido sexualmente. No entanto, naquele momento, Mila sentia-se com vontade de quebrar tudo e deixar-se mergulhar naquela boca, naquele corpo quente.
Mila vira-se e vê o olhar dele a percorrer o seu corpo, a sua respiração notoriamente mais apressada.
Avança e pega na chávena de café. Bebe um pouco e passa com a língua pelos lábios, de uma forma tão suave e lenta que percebe que Luís engole em seco. Sorri para ele, com um olhar bem maroto e estende a mão.
- Estou com frio, Luís, mas com umas ideias de me aquecer, se me ajudares.
Este dá um passo em frente, agarrando a sua mão, puxa-a para si e abraça-a, sentindo a sua pele suave e fria. Beija-a vagarosamente no pescoço, nos ombros, sentindo o seu sexo erguer-se de forma poderosa e intensa dentro das suas calças.
Mila geme alto, adorando a sensação e pensa em algo que gostaria de fazer com o seu amigo. Afasta-se dele e vai à cozinha. Abrindo um dos armários, retira umas tabletes de chocolate. Pega em duas caçarolas e leva-as para junto da lareira. Numa delas coloca uma tablete de chocolate preto e na outra, duas de chocolate branco.
Vira-se lentamente, levantando os braços para se aninhar no corpo de Luís e diz-lhe ao ouvido:
- Coloca umas mantas no chão e deita-te. Hoje vou pintar-te o corpo com as minhas mãos.
Mila retira-lhe a camisola, beijando-lhe a barriga bem devagar, passando as mãos por cima da cabeça dele, atirando a roupa para o chão. Subindo com a boca, mordisca-lhe os mamilos enrijecidos. Beija-lhe os lábios num ósculo bem demorado, desapertando o cinto e as calças. Baixando-se, vai deixando escorregar as calças devagar, passando com a língua na parte inferior do abdómen, nas pernas, tão lentamente que Luís quase não se consegue conter, sentindo vontade de a atirar ao chão e possuí-la sem demoras.
De bóxeres, Mila olha avidamente para o sexo erecto e sente um desejo a consumir-lhe as entranhas.
Empurra-o para cima das mantas quentes do chão e pega numa das caçarolas. Envolve os dedos em chocolate e começa a passar pelo peito do Luís. Rabiscos que se transformam numa árvore cheia de galhos e sabores. Leva os dedos à boca de Luís, que os chupa cheio de tesão e desejo. Continua a pintar o corpo, alternando os castanhos com os brancos e misturando as cores. Luís sentia os dedos suaves, o cheiro do chocolate, a sensação de calor no corpo, misturada com o desejo.
- Hummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm – geme Luís – Quero foder-te, agora!
- Shiuuuuuuuuuu – diz Mila – Calma, sente apenas.
Cobrindo-lhe o corpo todo de chocolate, entre desenhos e sensações de prazer, começou a lamber desde os pés, até ao pescoço, passando a boca, a língua, as mãos que esborratavam os desenhos, encostando as mamas ao corpo latejante de Luís, entre gemidos e a pressa do prazer a ser consumido.
Luís ergue-se, agarra nos restos das caçarolas e envolve-lhe as mamas, chupando-as, tocando-lhe no sexo que escorria, sentindo-se cada vez mais tonto e com vontade de a penetrar. Resolve entrar no jogo de Mila, fazendo tudo com muita calma e lentidão.
Vira-se, colocando-se por cima de Mila, deixando que esta acolha na sua boca o seu pénis bem rijo e cobrindo-lhe os grandes lábios vaginais com a sua boca cheia de chocolate. Toca-lhe com a língua no clitóris e sente-a a tremer. Chupa-a com gosto, com desejo, com surpresa. Sente o cheiro do prazer, da mistura de um orgasmo que se aproxima com o cacau.
Puxa-a para cima dele e enterra-se bem no fundo da vagina.
- Quero que essa cona goze bem o meu caralho!
Mila apenas gemia, sussurrando:
- Não páres, quero sentir a tua esporra dentro de mim, quero o teu calor, o teu desejo. Fode-me! Força! Enterra-te mais.
Puxa-o pelas nádegas, sentindo-se perder-se num orgasmo em forma de gemidos e gritos amordaçados pelo pescoço que sugava em doce delírio. Luís não aguenta e vem-se, enterrando a sua língua na boca de Mila. Absorvendo os cheiros, as cores, as sensações.
Deitam-se lado a lado, de mãos dadas e sentem o sono vir ao som do crepitar da lenha, sujos de chocolate e satisfeitos, surpreendidos e cansados. A chuva continua a cair, ajudando a embalar dois pequenos mundos artísticos num sonho tranquilo.




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