segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Castelo dos Mouros


Nesse dia o Sol estava abrasador. Sofia escorre com o calor que sentia. À porta do estádio do Sporting ligava ao Manuel. Do outro lado apenas o silêncio. Tinham combinado dar um passeio por Sintra, onde por certo estaria bem mais fresco e agradável.
Sofia olha à volta à procura de sombras. Mas o Sol alto da hora de almoço teimava em não se deixar ofuscar por locais mais frescos.
Toca o telefone e Sofia olha à volta. Lá estava Manuel a comer um gelado bem à sua frente, com ar fresco e descontraído. Sofia já não se lembrava de como ele era charmoso, alto e como caminhava com confiança. Uma gota de suor cai da testa e Sofia arrepia-se.
Ambos se tinham conhecido no facebook há alguns anos e passado por alguns momentos de flirt. Os anos foram passando e tinham resolvido ver como se sentiam novamente juntos por algumas horas. Depois de se picarem no chat, combinaram aquele encontro. O destino era Sintra, numa pequena manor house que os iria acolher durante a tarde.
Descem ao estacionamento do parque do estádio e entram no carro do Manuel. O ar condicionado rapidamente faz efeito refrescando o ambiente. Sofia começa a reclamar do frio excessivo. Aumenta-se a temperatura e tranquilamente a conversa decorre.
Chegam a Sintra e entram na casinha amorosa que se ergue bem junto da Vila. Fazem o check-in e visitam a casa. São avisados que esta está assombrada pelos antigos donos, mas que a energia é boa. Se tivessem medo de fantasmas seria uma chatice! A aragem corria pelas portadas das janelas abertas e realmente sentia-se uma história em cada pedaço da casa. Mas uma história de alegrias e esperanças.
Sobem ao quarto e Sofia fica a ver a paisagem da Serra de Sintra. Os seus olhos perdem-se pela magia que sente. O céu bem azul as cores das casas em contraste com o verde da serra. Inspira profundamente e quando olha para o quarto Manuel está deitado e nu risonho. Sofia senta-se na cama e observa o corpo trabalhado dele.
Manuel levanta-se e diz:
- Vou tomar um banho. Quando vier estás nua?
- Vamos ver – responde Sofia rindo-se. Precisava de estímulos, queria que fosse Manuel a despi-la, beijando-lhe o corpo enquanto as roupas iam caindo ao chão.
Enquanto ele entra no banho, Sofia despe-se, ficando com boxeres e babydoll. Toda vestida de negro, deita-se na cama esperando que o banho acabasse.
Manuel sai do banho e vem deitar-se na cama.
- Toca-me aqui na perna – diz guiando a mão de Sofia para as coxas. Este local é agradável de sentir. Depois toca-me nos testículos e no pénis. Beija-me o sexo!
“Hum… mandão… vamos lá” - pensa Sofia
Começa a acariciar as coxas de Manuel, dando-lhe beijos pelos mamilos, descendo para o abdómen, sentindo os pelos do peito… tocando nos testículos e começando a sentir a erecção cada vez mais intensa.
Manuel levanta-se da cama.
- Vamos ver as pessoas da rua. Anda para a janela.
Sofia levanta-se excitada, uma nova experiência. E se os vissem? Agradava-lhe a ideia.
Sofia abre as portadas da janela, observando as pessoas que passam lá fora. Manuel abraça-a por trás e penetra-a por trás. Aquela paisagem e o ar perfumado com as carícias à mistura fazem com que Sofia comece a escorrer. Mexem-se ritmadamente arfando, gemendo, transpondo patamares de loucura profunda.
Manuel agarra a mão da Sofia e leva-a para a cama. Empurra-a de frente para o colchão e novamente a penetra por trás dizendo:
- Toca-te. Quero que te masturbes ao mesmo tempo.
Puxa-a ligeiramente pelos cabelos acrescentando:
- Estás a portar-te mal…
Aquelas palavras e o gesto dele ainda aumentam mais a excitação de Sofia que se toca ao mesmo tempo que sente as mãos de Manuel pelo corpo todo. Sente a vagina a tremer enquanto goza todo o prazer do sexo e do momento.
Manuel empurra-a para a cama e deita-se de lado. Sofia tenta beijá-lo, mas ele fecha os olhos e fecha-se. Compreende que Manuel não quer beijos. Será por não haver sentimento e ser apenas algo primário? Não insiste e continua, sentindo apenas a falta de uma língua na sua boca. Sofia é beijoqueira e adora sentir o calor das bocas que se colam.
Manuel sai de dentro de Sofia e acaricia-lhe o clitóris. Sofia quer mais, quer sentir o sexo duro e erecto dele.
- Manuel vem para dentro de mim. Quero sentir-te, comer-te, devorar-te, foder-te!
- Vamos dar uma volta à vila agora e já voltamos.
Sofia sente-se gelar por dentro. Tanta tesão e uma vontade de se vir intensamente e Manuel quer passear. Controla a vontade e levanta-se.
Manuel entra novamente no banho e convida-a a entrar também. Será que era no banho que o esperado orgasmo e concretização do momento se daria?
Tomam um duche e nada de sexo. Sofia sentia as entranhas a chamar, a desejar, a querer mais e mais.
Vestiram a roupa e saíram. Lá em cima o castelo dos mouros, imponente e cheio de história de batalhas passadas sobressaia entre o verde e o pintalgado de mil cores das rochas e das flores.
Decidem ir ao castelo passear.
A subida íngreme e a falta de preparação física de Sofia fazem com que Manuel num instante chegue à entrada e que Sofia fique para trás a observar toda a paisagem, as flores e plantas do caminho, o piar dos pássaros e o azul intenso do céu.
O castelo é rodeado por granitos rosa, cheios de feldspatos que brilham intensamente ao Sol, árvores imponentes que viveram a história de tempos passados. Flores e cheiros compõem o resto. Sente-se a paz e a magia… magia que pode ser vista em cada pedaço de céu, de terra de gente que por ali passa. Já é fim de tarde e o castelo está quase a fechar. Poucas pessoas passeiam por ali.
Manuel estava à entrada à espera, bebendo água e observando também a paisagem.
Entraram no castelo e subiram mais escadas. Sofia apenas pensa que a descida será bem mais fácil.
Numa das torres desertas, Manuel agarra Sofia e baixa-lhe os corsários. Encosta-a à parede de pedra e penetra-a olhando-a dentro dos olhos. Apenas olha, sente. Os olhos frios tentam ler lá dentro, tentando decifrar o desejo. Como noutros tempos, nos tempos dos mouros, um homem e uma mulher apenas se saciam em forma de sexo. Nada mais. O instinto básico somente.
Sofia escorre novamente de tesão. O castelo, o facto de poderem ser vistos excita-a imensamente. Rapidamente sente o orgasmo e Manuel vem-se de seguida. Respiram profundamente. Ali sim, muito oxigénio que entra, muito relaxamento que se sente e paz. E prazer delirante e louco.
Ambos saciados puxam a roupa para cima e saem do castelo. Conversas triviais vão ocorrendo enquanto descem.
Fazem o check-out do quarto e retornam a Lisboa. Manuel ainda segue para o norte e Sofia fica.
Foi bom… mais um momento de luxúria e prazer. Momentos apenas que podem ou não repetir-se. A ambos pouco importa. Viver o agora e o desejo foi importante, mas não ocupa o pensamento com vontade de saber se mais para a frente haverá novo encontro.
Sofia apenas sente a falta da boca e da língua que não provou. Ambos são gelados no que concerne a emoções e sentimentos desses momentos que pouco mais que o sexo importa.

Uma pergunta fica apenas na cabeça de Sofia. Porque não terá Manuel partilhado beijos? Mas depois se desvanece, ficando apenas o gosto do prazer da tarde em Sintra.